Quando era criança tinha um sonho. Queria um irmão mais novo.
Fartei-me de pedir aos meus pais, porque tinha de ser assim, porque nunca ia conseguir ser uma pessoa realizada sem um irmão mais novo, porque não mete piada discutir sempre com a mesma irmã,porque ia ser completamente infeliz para sempre.
Prometi que cuidava dele, que lhe emprestava os meus brinquedos, que lhe dava a papa, até prometi que o deixava dormir no quarto (mas com uma caminha feita no chão, que isto de dividir cama não funcionava!), arranjei centenas de desculpas perfeitamente válidas para ter um irmão pequenino (Sim, porque na minha cabeça ele não crescia, era uma espécie de super nenuco, mas mais fixe).
Claro que os meus pais com duas filhas, sendo uma delas eu (depois da experiência de me terem a mim, os meus pais nunca foram os mesmos. Ainda hoje acordam com pesadelos!) nunca me fizeram a vontade.
Entretanto fui crescendo e habituei-me ao facto de que nunca ia ter um irmão mais novo, nem um pónei branco, nem um castelo cor-de-rosa em tamanho real como o da Disneyland Paris, nem uma boneca com o cabelo sempre a crescer, nem um guarda roupa cheio de fatos de brincar, nem uma cozinha de brincar com comida verdadeira, as minhas grandes desilusões de infância.
Passados uns 14 ou 15 anos, pronto, finalmente quase consegui ultrapassar o choque de nunca ter tido um irmão rapaz (quaaase, ainda hoje consigo chatear os meus pais com isso). Mas agora, subitamente fiquei mais perto do o realizar.
A minha irmã mais velha, aquela que eu não pedi mas me calhou á mesma na rifa (um dia dedico-lhe um post, ela é uma coisa linda e merece) perdeu a cabeça e vai-se casar entretanto. Já começa a pensar naquelas coisas como comprar casa, e ter filhos e esse género de objectivos dos quais eu ainda fujo e mando pontapés para se irem embora. A minha mãe, resolveu fazer o infalível (porque toda a gente sabe que os resultados são completamente irrefutáveis) teste da agulha. Adivinhem? Deu-lhe um rapazito. O que fez a minha irmã? Como sabe que eu sempre quis um irmão baby, definiu imediatamente que eu era a única hipótese possível para madrinha do futuro rebento que ainda não existe, e que ele tinha de ir passar as férias com a tia e passar tempo de qualidade com ela. Porquê? É uma forma de ficar mais perto de realizar o chato do meu sonho que nunca foi embora. Não é a coisa mais amorosa do mundo?
E eu como irmã mais nova ainda mais amorosa, claro que concordei. E ainda disse que se por acaso calhar uma rapariga a troco por um furão com uma coleira cor-de-rosa. Não que o choque de não ter um irmão ainda aguentei, mas se agora não me calha um sobrinho aí é que a coisa fica preta!











