quinta-feira, 10 de março de 2011

E se eu não gostar do futuro? Bem, vou sempre a tempo de mudar.

Quando era míuda queria ser uma princesa a tempo inteiro. Daquelas com direito a palácio gigante, príncipe encantado, cavalos brancos e milhares de vestidos cor-de-rosa. Depois já não queria, porque querer ser uma princesa era para crianças e eu já tinha 6 anos. Depois disse que o meu emprego ia ser uma mãe a tempo inteiro. Aos 20 já ia estar casada com uma mini equipa de futebol e uma casa grande com piscina e um marido com um emprego importante que costumava variar entre cirurgião, presidente de uma empresa e advogado (não me perguntem porquê, andava na escola primária está bem?). Depois a rapariga teimosa que odeia ter de dar justificações que há em mim, que nessa altura ainda era pequenina mas que cresceu muito desde então, apareceu e eu vi que se não ganhasse o meu próprio dinheiro o meu marido não me ia deixar comprar as barbies todas que eu queria, e isso é que não podia ser! Então voltei a mudar de ideias e quis ter um emprego para poder comprar tudo o que quisesse sem ninguém refilar com isso (tão pequenina e já tão esperta!). Claro que na altura ganhar um ordenado significava comprar doces, barbies, louças de plástico e roupas novas para o nenuco, mas isso são pormenores. Então quis ser cozinheira, quis ser professora, quis ser advogada, quis ser arqueologista, quis ser actriz / cantora, até que quis ser veterinária. E essa ideia manteve-se durante bastante tempo até aos meus 16 / 17 anos, porque sou amante incondicional de animais e tinha a ideia ingénua que ser veterinária ia ser passar o dia a dar vacinas e a brincar com os bichos. Não sei muito bem como é que essa ideia mudou entretanto mas um dia reparei que a comida era a minha escapatória  para tudo. Estava triste, ia cozinhar. (Algumas das minhas melhores receitas de doces vieram depois dos desgostos amorosos da minha adolescência, ah pois!) Estava feliz, ia cozinhar. Era preciso festejar? Lá ia eu cozinhar. De certo modo a comida ainda é a minha terapia, e sempre que estou triste ou muito chateada é a cozinhar que eu encontro os meus happy pills. E sem nada que o anunciasse, fiz disto a minha área profissional e entrei num curso superior que desse para a seguir. Não foi perfeito e no início custou muito. Engane-se (muito!) quem pensa que cozinhar num restaurante / hotel é o mesmo do que em casa. Não é, de todo. É 934353244 vezes pior.  É uma área dura com muito trabalho e infelizmente muito pouco reconhecimento. Mais do que isso, é uma área ingrata em que só sobrevive quem gosta mesmo daquilo que faz. E depois do pânico inicial e do "Meu Deus, onde é que eu me vim meter???" percebi que sou completamente apaixonada pelo que faço. Que gosto de tudo o que a área implica, tanto na parte da cozinha como da pastelaria. Que é gratificante andarmos horas a correr de um lado para o outro com uma descarga brutal de adrenalina, mas no fim sair um prato perfeito que vai fazer as pessoas sorrirem ao provarem. A comida é união, faz as pessoas unirem-se para uma refeição, consegue alegrar, consegue satisfazer. Pode não ser gratificante como um médico salvar uma vida, ou um veterinário entregar um animal já curado aos donos, mas para mim leva felicidade ás pessoas de uma forma tão ténue que elas nem se apercebem.
A verdadeira magia na minha vida acontece quando estou rodeada de alimentos, de todas as cores, de todos os cheiros e sabores e eu só tenho de dar asas à imaginação para transformar aquilo numa coisa que as pessoas vão apreciar e que as vai fazer esquecer dos problemas durante uns momentos. 
Já várias pessoas me disseram "Não é uma área para fracos, os horários, o trabalho, aguentas?" Estou a contar que sim, e se vir que me está a fazer mais mal do que bem estou sempre a tempo de mudar.
Mas no fim, sei que tenho um futuro árduo, com muito trabalho duro, com horários lixados e provavelmente com muito menos gratificações do que aquelas que a área realmente merece. Mas estou a fazer uma coisa que me apaixona todos os dias, no fim não é isso que interessa? Sermos felizes e fazermos os outros felizes? 

20 comentários:

  1. "estou a fazer uma coisa que me apaixona todos os dias" é TUDO o que interessa ... parabéns** e muito sucesso!

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  2. Se é isso que tu gostas, então força e vai em frente :)

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  3. Temos sempre que seguir os nossos gostos e sonhos :)

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  4. Acho muito bonito que estejas a seguir o teu sonho! Depois queremos saber quando abrires o teu próprio restaurante!

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  5. Adorei ler este texto! De facto na vida o que mais interessa é fazer o que gostamos e conseguirmos ser realmente felizes! Parabéns!
    Abraço

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  6. Exactamente como eu, estou feliz é no meio dos tachos. Gostava de tirar um curso mas assim para saber só o básico, como a cozinha é para mim mais um hobbie... A minha mãe ensiste que eu devia ser chef ou pasteleira, eu teimo que vou ser jornalista e ponto final.

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  7. Adorei o texto Catarina !
    Nós devemos seguir os nossos sonhos; fazer o que nos faz felizes :)
    Ser cozinha é uma profissão "deliciosa" eheh, e acredito que seja dificil; olha-se para aqueles pratos deliciosos nos restaurantes, nos finos pratos dos finos restaurantes e na doce pastelaria das padarias e vemos como esse trabalho é dificil!
    Continua com o bom trabalho ; exelentes textos e cozinhados :D
    E yaa, estudar é mesmo dificil, estou a estudar história e consigi ver isso. Ainda bem que no proximo ano já nao tenho ehe
    Bjs

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  8. Faz o que te faz feliz!
    E se te enganares vais sempre a tempo de mudar, porque nunca é tarde demais :P

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  9. Eu amo voleibol! Alias, acho que me vou increver num clube, tras imensos beneficios (um deles o crecimento rápido ^^- e é tbm por isso que vou :p).

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  10. :D lindo texto! e de certeza que daqui a uns aninhos lá estarás tu a abrir o teu restaurante e quem sabe até poderás ser uma grande chef de cozinha reconhecida pelo mundo fora. se esse for o teu sonho, nunca pares!


    adorei adorei adorei! :) dá vontade de seguir também os meus sonhos! Beijinho

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  11. Sim, é isso que importa e tu hás-de ser muito feliz com essa tua escolha.

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  12. Quando fazemos o que gostamos, todos os obstáculos são facilmente ultrapassados !

    Revejo-me no inicio da tua história! Desde ser princesa a veterinária.. ! hehe ;)

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  13. O importante é mesmo seguires aquilo que te faz sentir bem e realizada. Quantos não vão para cursos que pouco lhes interessam mas que têm as suas regalias em determinados aspectos e depois... depois vão mal dispostos para o trabalho, tratam os clientes/pacientes com desprezo e arrogância, chegam insatisfeitos a casa...
    Interessa, sim, procurar concretizar os nossos sonhos; sermos felizes e partilhar isso com todos. E tu estás a fazer isso :-)

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  14. Andei um pouco sumida devido a loucura do meu trabalho! Estava com sds, mas já estou de volta!!!
    Um ótimo final de semana!
    Bjs
    garimpus.blogspot.com

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  15. Adorei o texto o.O, consegue por uma pessoa a pensar. Agora cada vez é mais frequente ouvirmos uma pessoa dizer: Quero ser isto! Então porquê? Porque recebe-se bem. Já ninguém pensa na satisfação pessoal que é fazermos aquilo que mais gostamos. Eu própría passei por essa fase do "quero ser o que der mais dinheiro" quando me apercebi do que conta é realmente o que nos faz feliz e o que nos satisfaz, no meu caso é a saúde e a escrita, no teu a cozinha :D

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  16. E nada do resto interessa... acredita nisso!

    Beijoo****

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  17. Adorei o texto, e espero realmente que sejas bem sucedida. :)

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