terça-feira, 30 de agosto de 2011

Esta é mais uma daquelas coisas da vida em que devíamos ter opção de escolha.

As pessoas vêm e vão. Algumas marcam, outras nem tanto. 
Há as pessoas que marcam e vão-se embora da nossa vida, mesmo quando não queremos ou estamos preparados para a ida delas.
Ás vezes sabemos que é pelo melhor, que mais vale custar agora bastante e passar com o tempo, do que custar todos os dias um bocadinho enquanto elas cá estão.
Tentarmos lutar por coisas que já não querem que se lute por elas, é uma perda de tempo e por mais que nos custe dar um passo em frente, por mais que adiemos uns dias, umas semanas, não podemos forçar ninguém a ficar na nossa vida só porque não queremos que se vão embora. Eventualmente vão acabar por ir e só estamos a adiar uma perda iminente. 
Custa deixar partir quem não queremos largar, mas que escolha temos? 
Além de esperar que o tempo actue e traga um sol brilhante e amarelo outra vez? 

Os dilemas existenciais da Catarina.

Assim desde o início, eu tenho duas amigas que já vêm desde a minha tenra infância, assim desde os dois ou três aninhos e inacreditavelmente nunca perdi contacto com nenhuma delas e continuamos a ser bastante amigas mesmo a vermos-nos com menos frequência. Com a I. sempre tivemos uma amizade mais à distância (os pais são divorciados e ela e a mãe viviam noutra cidade) mas por uma questão de sorte quando fomos para a faculdade, calhámos na mesma cidade pelo que nos vemos, felizmente, muito mais vezes. Com a C, foi precisamente o contrário. Ela ficou a estudar na nossa cidade natal e eu mudei-me para a capital e de uma forma ou outra continuámos a ser amigas como sempre. 
Quem tem amizades de tantos anos tipo esta, desde crescer juntas, passar das barbies para os primeiros amores, para a escolha da universidade, vivermos juntas situações pessoais muito fortes, criam-se laços que por vezes chegam a ser mais fortes que laços familiares. Afinal, no nosso caso estamos à sensivelmente 19 anos a crescer juntas.
E quando se criam estes laços, conhece-se tão bem a pessoa que praticamente já se conseguem ler as expressões e os tons de voz. Mesmo por telemóvel, basta falarmos uns segundos para perceber o estado de espírito uma da outra. 
O problema agora é que a C. começou um namoro ridículo. Digo ridículo porque enquanto ela continua na nossa cidade natal a acabar o curso, o rapaz vive noutro país com forte influência portuguesa. E se isso não fosse o suficiente para ser mau, é daqueles emigrantes de terço branco ao pescoço, brinco brilhante na orelha e que tira fotos em tronco nu para pôr no Facebook. (Mais um entre milhões, a tentar ser o Cristiano Ronaldo). E se pensam que é por estas razões que eu não alinho com o rapaz, não é. Amigas amigas, gostos masculinos à parte. 
É mesmo porque ele dá aqueles erros básicos da língua portuguesa e se há coisa que me tira completamente do sério, são erros básicos do português como escrever "conheso" e não saber a diferença entre palavras com e sem hífen e com e sem "h". E pronto, também  por causa das fotos ao espelho em tronco nu no Facebook. 
O meu dilema é que está a aproximar a minha tradicional conversa com a C. em que nós dizemos o que realmente achamos dos nossos respectivos uma à outra (sim, cena de gajas). 
Como é que se diz a uma amiga que ela consegue um namorado 92353223 vezes melhor e mais inteligente e menos parolinho e ainda que viva no mesmo país? Sem causar, claro, a primeira guerra de origem masculina desde o início da nossa amizade.
É duro, muito duro. Especialmente porque se eu tentar mentir e dizer que ele é a coisa mais cutxie cutxie de sempre, ela me apanha nos primeiros dez segundos. 

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Agosto é mês de família Avec. Episódio 3.

A família paterna ainda é grande quando está toda reunida. E como tal, existem crianças, que fazem o que qualquer criança normal faz: estragos, barulho e birras.
Eu e as minhas primas estávamos a meio de uma conversa que estava com uma certa dificuldade em fazer-se ouvir devido à intensidade do ruído provocado por mini sementes do diabo com microfone integrado. De repente, a minha prima S. que tal como toda a gente com uma audição de pelo menos 10% estava já ligeiramente surda com o barulho das miniaturas, disse a frase mais sábia que já lhe ouvi dizer em anos de vida: 
- Quanto mais vejo os miúdos de hoje, mais gosto de cães. 

domingo, 21 de agosto de 2011

Agosto é mês de família Avec. Episódio 2.

O tio mais velho, divorciado à uns anos veio apresentar a namorada nova, uns bons anos mais nova do que ele. 
Quando a vi pela primeira vez, ele disse-me:
- Catarina, esta é a namorada vinte e cinco.
E quando eu estava a perguntar o nome da senhora, antes que ela pudesse responder, o meu tio responde:
- Vinte e cinco. Podes chamá-la vinte e cinco. 

sábado, 20 de agosto de 2011

Agosto é mês de família Avec. Episódio 1.

Estão a ver nas séries e nos filmes, em que há sempre um tio solteiro, a entrar nos quarenta, mulherengo e que bate muito mal da cabeça? Esse é o meu tio N., o mais novo dos irmãos do meu pai. E "bater muito mal da cabeça", no caso dele é um eufemismo.
Ontem resolveu tentar oferecer aos elementos femininos da família uma data de pulseiras e de fios que trouxe com ele de França e quando nós lhes perguntámos porque raio é que ele andava com uma data de bijutarias atrás, a resposta dele foi:

"Eu convido-as para passarem o fim de semana em minha casa, elas levam malas para um mês. Quando eu lhes pergunto se estão a pensar em mudar-se para lá e que devem estar é malucas da cabeça, vão-se embora todas chateadas e deixam isto tudo para trás."

Meus amigos, sejam bem-vindos á família A. 

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

É triste, na realidade. E ligeiramente embaraçoso ter de andar com eles na rua a dizerem "je mon fou" e coisas dentro do género de cinco em cinco segundos em voz extremamente alta.

O fim das férias. Adeus Algarve, até um dia. É sempre tão triste o dia em que tenho de me despedir de ti! 
Agora na countdown dos últimos dias de férias, Agosto nem era a mesma coisa sem a família Avec toda reunida em Portugal. Que basicamente é a parte paterna toda e são mais que as mães.
Desde primos com sacolas da Burberry e terços brancos ao pescoço a primos com cintos da D&G,  a tios com os polozinhos da Lacoste e sapatilhas da Nike, este mês é sempre uma série de comédia sem ter de ligar a televisão. Esperam-se novos episódios entretanto. 
Ahhh, como eu adoro emigrantes! 

* E antes que me comecem a mandar pedras, não, não faço ideia de se o Francês no título está bem escrito. É bastante provável que esteja errado, mas perder 10 segundos a ir ao google tradutor é mais do que a minha preguiça pode aguentar, meus senhores. 


segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Coisas que me irritam. # 3

Chegar num dia ao Algarve e no dia a seguir apanhar o único dia de mau tempo dos últimos trezentos mil anos.
Depois chamam-me paranóica quando eu digo que o azar me persegue.