Perguntaram-me porque é que não conseguimos esquecer o primeiro amor. Porque é que é aquele que nos lembramos eternamente e aquele em que toda a gente fala e que lembra com um sorriso que parece reservado apenas a este tema.
Fiquei a pensar, o que tem o primeiro amor de especial? Especialmente porque geralmente é vivido em idades muito jovens e raramente é aquele que vai durar até ao final da vida ou formar família. Mas de alguma forma é aquele que marca, aquele que fica até ao fim sem nunca esquecermos sequer um minuto das suas memórias.
E deve ser por isso que ele nunca é esquecido. Porque é o primeiro. Porque é quando abrimos as portas a um mundo novo em que mexemos com as pessoas de uma forma como nunca tínhamos mexido antes. Em que experimentamos. Em que sabemos que de alguma forma a nossa vida nunca vai ser a mesma, abrimos a caixa de pandora. Depois de experimentarmos o primeiro amor parece que existe uma espécie de inocência perdida, uma inocência que é reservada apenas ao primeiro.
É aquele em que descobrimos a facilidade com que podemos magoar e ser magoados. Como podemos ser absurdamente felizes ou desesperadamente tristes numa questão de minutos. Em que nos entregamos sem qualquer restrição, sem qualquer medo, porque ainda não temos traumas passados.
É aquele em que dizemos que é para sempre, não porque fique bem dizer isso, mas porque para nós é mesmo para sempre, não imaginamos como possa não o ser, como possa haver uma realidade em que ele não exista.
Porque é aquele que quando acaba sofremos como nunca. É aquele em que sabemos que por mais amores que venham a seguir, nunca haverá outro em que soframos da mesma forma que o primeiro, porque foi nesse que aprendemos o significado preto dessa palavra.
É aquele que por mais anos que passem, por mais que a vida ande... nunca vai haver uma total indiferença. Porque foi aquele que nos abriu a porta para todos os outros amores da nossa vida.
Por isso sim, é verdade quando dizem que não há amor como o primeiro. Para o bem e para o mal. Por isso é que é aquele em que se escrevem livros, fazem-se filmes, músicas, obras de artes sobre ele. E sinceramente, ainda bem que é assim. Ninguém pode dizer que viveu realmente, enquanto não tiver tido um primeiro amor na vida.














