quinta-feira, 13 de setembro de 2012

A vida de uma pós-licenciada nos dias de hoje. Atenção, não é uma história feliz.

Desde miúda sempre tive a ideia de que a minha vida ia ficar por aqui. 
Ia crescer, ia estudar, ia para outra cidade para a universidade porque fui sempre das que acreditei que havendo a hipótese, essa deve ser a primeira etapa em que avaliamos o quanto nos conseguimos safar sozinhos, mas ia acabar por arranjar emprego na minha cidade natal, ia casar-me, ter uma casa com piscina e três cães, formar família, passar férias no Algarve e viver cá até ao final dos meus dias. 
Claro que com a escolha da minha área profissional, os meus sonhos começaram a ser outros e foi na altura em que "Ser chef em Paris", entrou oficialmente na minha lista de objectivos de vida. Mas houve sempre qualquer coisa, um bichinho dentro de mim que me dizia que era aqui o meu lugar. No sítio que me acolheu tantos anos e de que eu tanto gosto, que onde quer que a vida me leve vai ser sempre a minha casa. 
Mas estes últimos meses (anos, talvez?) mataram-me a esperança. Os cortes aumentam, as oportunidades de trabalho diminuem, os ordenados diminuem, as despesas aumentam e infelizmente, só onde não devem aumentar. O sítio que eu tanto gosto e que tanto imaginei o decorrer da minha vida deixou de ser uma hipótese. 
Embora a minha área (restauração e hotelaria) ainda não seja das piores, não é o cenário mais brilhante e mais positivo do mundo. Sempre me disseram que é uma área onde a experiência é essencial, então eu fiz estágios atrás de estágios sem receber um tostão e ainda ter de pagar transportes e muitas vezes alimentação, fiz extras, fiz mini trabalhos temporários enquanto andava a estudar. Passei semanas a trabalhar sem qualquer compensação financeira para ganhar a tal "experiência" que era necessária para ter um trabalho decente e minimamente bem pago. 
Pois, agora tenho a experiência, se calhar ao nível de muita gente que já está na área há mais tempo do que eu e com a vantagem do conhecimento que aprendi na faculdade, à custa de muito dinheiro em propinas, casa, contas e comida. E pessoas que venham cá dizer que o conhecimento que se aprende na faculdade não interessa a ninguém, que o conta são os anos de serviço, para vocês só tenho a dizer: Vão-se foder. É por merdas dessas que existem pessoas com zero de produtividade com décadas de casa e tanto desempregado com muitas melhores qualificações e capacidade. 
Mas como estava a dizer, agora tenho a experiência e eles enganaram-me. Com a experiência, com as qualificações, com os anos de aprendizagem não vem o trabalho remunerado à altura, já é uma sorte quando vem o trabalho sequer. 
E entristece-me ser mais uma na lista. Mais uma recém-licenciada que vai embora. Porque Paris ofereceu-me uma hipótese e eu não a vou rejeitar. Porque outro país, que não me conhece, me trata melhor do que o país que me viu nascer, do que país que me educou e que me tornou uma profissional. O país onde vivi nos últimos 22 anos não me deu hipótese e levou-me a tomar a decisão de ir embora. A ser mais uma dos milhares de profissionais qualificados que este país está a expulsar. 
Portanto, senhores governantes, percam um minuto do vosso brilhante tempo e pensem a sério na questão: Vale a pena? Vale realmente a pena? 
Vale a pena fazer cortes atrás de cortes, a piorar as coisas de dia para dia? 
Vale a pena tornar impossível a vida ás pessoas que vocês próprios educaram? 
Vale a pena levar-nos a ir todos embora, todos os dias mais alguns? 
É que se a resposta ás minhas perguntas é positiva, nesse caso, fico feliz por ir embora. 

6 comentários:

  1. Espero daqui a um ano poder dizer o mesmo que tu, isto é, que tenho uma oportunidade para concretizar o meu sonho. Não posso dizer que se o fizer vou ter muita pena de deixar isto para trás.. mas é sempre difícil deixar a família e o local que nos viu crescer, as boas memórias... para partir rumo a um país desconhecido. Os meus sinceros votos de felicidade, espero que todo corra pelo melhor*

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  2. É doloroso ter feito uma licenciatura, um mestrado, e ganhar o salário mínimo... :(

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  3. Fico triste em saber que não arranjaste trabalho, mas fico igualmente feliz por saber que tens esta oportunidade naquele país com que sempre sonhaste.
    Fazes com que acredite que alguns dos sonhos podem ser realizados, mesmo os que parecem menos prováveis. :)
    Mas, além de tudo mais, espero que sejas feliz. Lá ou cá, mas feliz a fazer aquilo que tanto gostas! :)

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  4. eu cada vez mais penso em emigrar. porque na verdade não devemos contentar-nos com pouco, com o vai-se andando. temos de querer sempre o melhor para nós... fico contente por ti :)

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  5. +e triste o futuro em portugak nãos er risonho, obrigar a muitos a irem para longe do pais que os viu crescer, longe dos ceus porque cá não têm dinheiro nem para sobreviver quanto mais para viver :/

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  6. Se eu arranjasse também uma oferta (eu e o meu marido), voava daqui para fora com a maior das alegrias!

    Infelizmente é assim!

    Estou farta de ser roubada!

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