segunda-feira, 22 de abril de 2013

Fraternal love.

Eu e a minha irmã temos sete anos de diferença de idades e talvez o triplo disso no que diz respeito a diferença de gostos e de personalidades. 
A minha irmã é controlada, calma e evita conflitos. Eu não me consigo conter e expludo, quando muitas vezes o melhor era estar quieta. 
A minha irmã gosta de sangria de champanhe e de smirnoff. Eu gosto de vinho e de gin. 
A minha irmã gosta de peito de frango e eu de bifes de vitela. 
A minha irmã é inconveniente e diz muitas vezes o que não deve em público, ironicamente, eu sou o oposto e penso sempre como é que aquilo que eu digo vai ser recebido. 
A minha irmã é cautelosa e pensa sempre antes de fazer as coisas. Eu sou impulsiva e faço as coisas no momento em que penso nelas sem pensar nas consequências que isso pode ter. 
A minha irmã tem acessos de mau feitio que metem medo mas que lhe dão só de vez em quando. Eu acessos de mau feitios ligeiramente  mais suaves mas que me dão com muita frequência. 
Eu tenho mudanças drásticas de disposição e nunca se sabe como é que vou estar dali a uma hora. Com a minha irmã podemos sempre contar como é que ela vai reagir.
A minha irmã é disponível para toda a gente, não reclama, não diz que não a ninguém. Eu sou disponível para quem acho que devo ser, passo 16 horas por dia a reclamar com tudo o que me é humanamente possível e adoro dizer que não. Mesmo que a seguir vá dizer que sim. 
A minha irmã gosta das músicas que passam no rádio. Eu gosto de rock e alternative. 
Eu gosto de ler romances e histórias com finais felizes. Ela gosta de livros com pelo menos dez mortos por capitulo.
A minha irmã é assim no geral, uma pessoa muito melhor do que eu. 

Eu e a minha irmã fomos educadas exactamente da mesma maneira, com exactamente as mesmas oportunidades e acabámos completamente diferentes uma da outra.
Tínhamos reunidas todas as condições para nos darmos muito mal, mas ironicamente, apesar de passarmos a vida a implicar uma com a outra, a minha irmã é das pessoas mais importantes da minha vida.
A minha irmã não é só a minha irmã, é uma das minhas melhores amigas. Mesmo quando sei que vamos ter ideias opostas, a opinião dela é sempre das mais importantes para mim. 
Quando penso na minha vida em retrospectiva, todos os momentos importantes, todas as coisas que valeram a pena, ela esteve sempre lá. E quando penso no futuro não imagino nenhum em que ela não esteja lá de alguma maneira.
A minha irmã é a minha pessoa preferida, é a minha partner in crime e é a pessoa com quem eu não preciso de falar para nos entendermos e percebermos o que a outra quer dizer. 
Hoje a minha irmã faz 30 anos e eu obviamente já lhe dei cabo da cabeça e não a deixei esquecer disso por um minuto. Mas passei 22 desses 30 ao lado dela e só espero que daqui a mais 22 possa dizer exactamente a mesma coisa que digo hoje;
Valem a pena todas as discussões, porque no fim do dia continuamos a estarmos sempre uma para a outra e a rirmos-nos da nossa estupidez e a partilhar tudo como até agora.
No fim do dia, continuamos a ser irmãs e não há nenhuma relação ou tipo de amor que substitua a segurança e cumplicidade que é ter um irmão. Que é ter alguém com quem podemos partilhar tudo, com quem podemos rir num segundo, gritar no outro e conversar calmamente no a seguir.
É nestas alturas que eu tenha pena de quem é filho único... toda a gente devia ter direito a saber o que é ter um irmão.
Especialmente se for uma irmã como a minha.



Parabéns, idiota! :) 

1 comentário:

  1. Que lindo texto, isso sim é cumplicidade :)

    Eu e a minha irmã também somos assim e adoro!

    Concordo contigo, tenho "pena" de quem é filho único porque não entende como é bom ter uma irmã.

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