Vi recentemente partilhado este vídeo no Facebook, do nosso Presidente da República a pedir aos jovens emigrantes que voltem para Portugal.
[ Aqui, para quem quiser ver. ]
Eu compreendo, juro que compreendo. Afinal, a geração das pessoas que estão agora entre os 20 e os 30 (na qual eu me incluo) é talvez a geração mais qualificada que Portugal viu nascer. Todos nós temos uma profissão, todos nós temos uma licenciatura ou um curso profissional numa área especifica... grande parte de nós em universidades e escolas públicas em parte subsidiadas pelo governo.
Todos nós queremos provar o nosso valor e as nossas capacidades.
Muitos poucos de nós tiveram a oportunidade de o fazer dentro da nossa casa.
Eu compreendo. Afinal, Portugal subsidiou os nossos estudos e agora não está a colher os frutos desse investimento. Os jovens não trabalham dentro do país (ou não conseguem trabalho de todo) logo não descontam e não ajudam com os seus próprios impostos.
Mas eu pergunto... que culpa temos nós?
Depois de quase quatro anos em empregos precários, estágios profissionais e muito tempo parada, encontrei-me a receber o subsidio de desemprego. Em caso de nunca o terem tido de receber, eu digo: não é uma boa sensação.
Sempre tive ideia de ir para fora... mas era aquela ideia longínqua de "um dia gostava de viver lá fora", aquelas coisas que dizemos da boca para fora, que nunca achamos que irão realmente acontecer. Até me encontrar numa situação de desespero e uma amiga me oferecer a oportunidade de ir viver para Londres,
Vim à aventura. A única coisa que tinha era uma amiga que me ofereceu a casa e a ajuda dela... e só por isso vou-lhe ser eternamente grata. Não tinha perspectivas de emprego, nunca tinha estado aqui antes, não sabia como é que esta cidade funcionava. Apenas tinha uma mala e meia, algum dinheiro no banco (não muito), um currículo, um certificado de habilitações e capacidade de falar inglês.
Em doze dias tratei de todas as burocracias, fiz vários turnos de experiência e tive uma oportunidade fantástica de emprego na minha área, que me permite aprender bastante e um dia me vai abrir bastante portas. A melhor parte? Condições de trabalho excelentes, progressão de carreira e um bom ordenado. E uma segurança que nunca, nunca consegui ter em Portugal.
Não se enganem: todos os dias tenho saudades de Portugal.
Da minha família, das minhas rotinas... do meu sobrinho/afilhado de oito meses, o qual eu cuidei muitos dias seguidos quando nasceu e que agora me dá vontade de chorar de cada vez que me lembro que eles está a crescer e eu não estou a ver. Em que choro mesmo quando me lembro que da próxima vez que ele me vir nem vai saber quem eu sou.
Não tenciono voltar para Portugal, Sr. Cavaco Silva. Portugal não me oferece as condições que eu aqui tenho. Não me oferece a segurança profissional e financeira que eu aqui tenho. Não me oferece a qualidade de vida que eu aqui tenho, que apesar de ter de gerir o meu dinheiro (como qualquer pessoa), não tenho de andar a contar os trocos todos.
Querem incentivar os jovens Portugueses? Concordo plenamente.
Mas incentivem aqueles que ainda aí estão.
Nós já não voltamos, por isso façam com que os que ainda resistem não tenham de sair. Não os façam passar por aquilo que nós, jovens imigrantes, temos de passar. Não os sujeitem a ter de largar tudo, como nós.
Porque acredite em mim, ter de deixar tudo para trás? Custa.
Custa muito.
Mas custa mais voltar.