terça-feira, 4 de outubro de 2011

Nove anos. Como é que já passaram nove anos?

Hoje surgiste em conversa e foi das primeiras vezes que conseguimos falar de ti e rirmos-nos de histórias tuas, das tuas "estupidezes" tão características de forma natural. 
Lembrei-me que já passaram nove anos. Consegues imaginar? Nove anos? Parece que foi ontem. Fogo, parece que foi à alguns minutos! Estamos todos nove anos mais velhos, mas nem por isso menos parvos. Sabes como é, nunca vamos conseguir deixar de ser uma família completamente idiota. Mas a melhor de todas, na mesma. A vida mudou muito em nove anos. A M. está a tentar engravidar depois de quatro que deram mal, estamos todos a torcer por ela como nunca. Ela e o J. continuam como sempre, o super casal do século, mas lá está, parvos como sempre. O T. assentou, está junto há 5 anos. E sim, com a mesma. Consegues imaginar? O T. com alguém mais de um mês? Já têm a casa que ele sempre disse que ia ter, com piscina e cheia de cães! A tua irmã está na mesma, a voz da consciência de nós todos, ela e o N. estão a pensar ir viver juntos. O teu irmão está licenciado, a trabalhar na área e feliz e mulherengo como só ele consegue ser. É o que dá ser tão giro! A minha irmã casou-se. Está completamente feliz. Aposto que ela se ia rir na tua cara e dizer "Vês como arranjei alguém que me aturasse? Toma!!"  A T. tem dois filhos! Dois! Sim, dois, já! Devias vê-los, os putos são o máximo! O C. está como sempre, a curtir e a aproveitar a vida só como ele sabe.  Agora tem um filho (Sim, o C. tem um filho!!), foi baptizado com o teu nome. E sacaninha como ele é, acho que não é só o nome que ele vai herdar de ti! A A., o H., os D's., , já não são mais as crianças que conhecias. Estão grandes, a fazer pela vida. A C. já não conheceste, mas é a cara da mãe! Ela e a I. são iguaizinhas!Devias ver os D's nas primeiras aventuras com as miúdas, só rir!
Eu estou aqui, era uma criança quando isso aconteceu, tornei-me adulta a sentir a tua falta. Ainda não compreendo o porquê do que aconteceu e sei que isso é uma questão que me vai assombrar toda a vida. Cresci a ter de viver contigo apenas na consciência, a sentir que faltou sempre alguma coisa. Mas sei que isso me tornou mais forte, me ajudou a lidar de outra forma com a dor e sei que grande parte do que me tornei é porque já tive de passar por algo que me obrigou a ver as coisas de outra maneira, me obrigou a tornar mais humilde e menos inconsciente. O que fez com que de alguma forma, mesmo sem estares presente, me ajudaste a crescer tal como fazia quando cá estavas.
A vida é a mesma por aqui, os natais e a páscoa são iguais a sempre. Os encontros de família nunca mudam. Somos nós, apenas nove anos mais velhos. Os teus pais, os meus pais, o resto dos tios, os avós, nós todos, nunca mais fomos os mesmos depois de ti. Foi isso que mudou. A tua presença. 
Passaram nove anos e aqui estamos nós. Continuamos a discutir, a rir,  a conversar horas seguidas em volta de uma mesa. A fazer coisas parvas e a gozar uns com os outros. 
Nove anos desde que foste. Nove anos em que nunca mais fomos os mesmos. Em que descobrimos o que é sentir todos os dias a falta de uma pessoa. Em que sentimos na pele o tom preto que ás vezes a vida pode ter. Nove anos em que a palavra "saudade" está connosco a toda hora. Em que choramos ás escondidas para não lembrar os outros de tudo o que já nos fez chorar. Nove anos mais velhos, mas a sentir a tua falta com a mesma intensidade de sempre. Nove anos mais velhos, mas com a tua presença imortal sempre ao nosso lado. O que nos acalma é sabermos que de alguma forma, ainda vamos estar juntos de novo. Estúpidos como sempre, felizes sem a sensação que há sempre alguma coisa que falta. 
Adeus H. Foi bom falar contigo. É bom lembrar-me da tua presença de vez em quando, mesmo quando a tua ausência é sentida todos os dias. 

Está a dúvida instalada!

Faço ou não faço um facebook para o bicho?
É que é coisa para me dar um trabalhinho que preguiçosa como só eu,não sei se quero ter!

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Queridos senhores da rede de transportes públicos de Lisboa.

Obrigada por ter de ficar seis horas, sim, SEIS HORAS, à espera numa fila só para entregar a merda de um papel e ter de fazer a renovação de um passe. 
Estão totalmente num bom caminho para convencer as pessoas a deixarem de andar de carro e começar a andar de transportes. 
Só tenho uma palavra para vocês: ODEIO-VOS! 

domingo, 2 de outubro de 2011

Não queiras trazer o passado de volta. Ás vezes não faz bem.

Nunca quis que me achasses perfeita, quis que me quisesses como sou, com defeitos incluídos. Nunca quis que achasses o meu feitio admirável, quis que risses comigo nos momentos maus, que batesses o pé quando eu fazia birras.
Quis que me desafiasses, nunca que aceitasses o que não querias por ser mais fácil de lidar. 
Quis valer o esforço, não ser um porto seguro.
Quis conquistar e ser conquistada todos os dias, nunca quis a garantia do para sempre.
Não te quis dar todos os segundos da minha vida, mas quis dar-te uma grande parte dela.
Não quis ser a única pessoa na tua vida, mas quis ser aquela que tu querias que fizesse parte dela.
Não quis que pensasses em mim em todos os segundos do teu dia, mas quis que sentisses a minha falta quando eu não estava contigo.
Não quis ser o teu “dream come true”, quis que fosses feliz comigo.
Não te dei tudo o que tinha, mas entreguei-te de mãos abertas aquilo que sabias poder partir com muita facilidade, como fizeste. Tal como nunca quis fazer o mesmo contigo, como também fiz. Não existe um lado certo, existem erros e culpas a dividir de forma igual.
Mas o que não está feito para ser, não o é. O tempo passa e ajuda a esquecer.
E agora não vale a pena voltar atrás no livro e descobrir que poderia ter sido escrito de forma diferente, porque não foi. Podes voltar para a minha vida, continuas a ser uma parte dela, sempre serás. Mas por favor, não voltes para tentar corrigir os erros antigos, para me fazeres pensar que ainda há alguma coisa a ser salva. Sabes aquilo que foste, que és, que sempre vais ser. Mas não tentes ver no futuro, aquilo que não conseguimos ver no passado.
Não queiras reescrever uma história que já acabou, sem teres a certeza que desta vez lhe consegues dar um final feliz.